quinta-feira, 27 de setembro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Optei pelo calor do texto e estou a falar-lhe disso. Então olho
para o lado
e vejo que meu jeito de alimentar é misturar a ração com um
pouco de molho. O caminho todo é repousar neste aroma.
Há um mar preciso, que chamarei de pensamento, que responde
às estações do ano: ora congela-se, ora se agita, ou se aquece. E, do mesmo
modo, há o fundo do olho, que chamarei de instante.
Ambos se procuram.
Se haverá encontro, se há um barco, ou o mensageiro a
atravessar as espécies, se há alguém que sobrevive desta comunhão e autoriza-se a contar-se, não sabemos.
Percebo que estou a falar-me, já deixei de conversar contigo.
Mas, de água viva ou de sonho, prossegue-se,
Pois há coisas que vivemos de um outro lado.
Esta língua que me permite
escrever, não me põe a entender. O mar
oferece-se aos olhos. Mas, e o olho,
nasceu para ofertar-se ao mar? E chegará o homem de olhos até aqui.
Caberá a nós continuar. E é de trindade que falaremos.
Caberá a nós continuar. E é de trindade que falaremos.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Os espinhos pregam-se
às roupas
A moça ocupa-se da
limpeza da janela
Enquanto alguém pensa
o que fazer com o pote sem uvas que recebeu no verão passado
Estou pronto, neste quarto amarelo
A dialogar com as palavras. Elas podem fechar o sol. Elas podem tudo.
Estou pronto, a professar com as estantes
que aprendi a brincar de labirinto, mas não sei o que faço quando me
batem à porta
As sombras são palavras mudas
brotam em cima da casa fechada
Quanto mais unidas as mãos estiverem
mais longe a carne pousará
nossos joelhos aprendem a olhar para o chão,
mas o peito nasce para tocar o nu
na mata de eucaliptos,
de sombra exposta, porém ensurdecedora
somos uma lembrança jogada ao telhado
a desejar o centro da folhagem
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Porque as uvas estão a nascer
ou se sonhamos com uma pequena caixa de relíquias
há um homem a transportar-nos para o mais alto do rio
sem perguntar-nos acerca da volta. Tu sabes. Apenas aguarda a hora de sentir
ou se sonhamos com uma pequena caixa de relíquias
há um homem a transportar-nos para o mais alto do rio
sem perguntar-nos acerca da volta. Tu sabes. Apenas aguarda a hora de sentir
Algo de imaterial como a palavra
que viaja do tempo mudo,
a misturar-se com o sol.
que viaja do tempo mudo,
a misturar-se com o sol.
O poema estanca o leito com a mão suada da terra
As duas margens do encontro
o desejo de não terminar as frases
e o silêncio que precisa falar
o desejo de não terminar as frases
e o silêncio que precisa falar
sábado, 18 de agosto de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
na casa de Llansol
não haverá nunca um novo mundo, pensei, mas há um outro neste _______________ e continuei a ler (LL1, 19)
sexta-feira, 13 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
A visita, se nos mentisse. Voltaria atrás carregada de medo.
E não se ouviria mais o canto de uma criança na neve saltando
de cor em cor.
Mas, aonde cresce a coragem. Ou
das coisas que não acontecem por não terem cabimento. Tem-se
noticias do há.
Entre os meus seios, o que renasce, contra o furor higienista
de minhas mãos.
O que é vivo, aceita esta duração, mesmo sem nenhuma porta para
abrir.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
os iluminados ao entrarem no clarão do azul dirão aos
peixes: eis a presença a nos servir. E pregarão
as cifras da experiência de um livro fechado. Mas, se quase o corpo, escutar a cabra, ou o inteiro a berrar,
é o verbo, a volver o medo. Pois não há olho sem lei.
E um feixe de alguém se anuncia, na entranha
polida
Cerca
Aberta
De começar
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Um
sistema inserido na boca para consertar a mordida. Uma prótese, dessas que o humano
usa para garantir o que ainda resta de orgânico. E esta começa a machucar a
própria carne, a macerá-la por dentro. Não haveria quem arrancasse a delicadeza
de um arame farpado perfurando o vivo. A não ser o lenhador e o alicate da noite,
sujo de entortar as cercas do início de um dia. E, com as duas mãos cravadas no
centro da boca da moça, se esbarram:
são sujas as distâncias de afeto.
são sujas as distâncias de afeto.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
há muito tempo que não venho. Há pelo menos três gerações.
Mas de dentro do corpo da mulher de pedra eu vi a extração.
Era a espessura cheirando sexo aquecendo a luz branca de um centro cirúrgico
chamado aula.
Fumegava no cangote a trapaça e eu quase me fiz filhote da
palavra, mais uma vez.
Mas o menino W. estava ali. No seu modo de não-estar cuspiu o vôo do pássaro
ainda morno, no ovo envergonhado,
ainda morno, no ovo envergonhado,
que a voz de T. captou no parto,
e por suas pernas escorreu um líquido viscoso, chamado
dizer
Uma pipoca, ou melhor, um fragmento de pipoca, muito
pequeno, correndo no chão da praia caçado pelo vento. O menino L. corre atrás
dela, por toda a orla, e eu, correndo atrás do menino L. Atrás de mim, a ferida aberta da
paisagem, correndo junto,
Perguntei-me se a mulher-escrita não dormiria neste
acontecimento. E realizar o encontro-embate da ferida com a pipoca seria o poema. Do sangue pulando no pescoço quando se corre,
do gesto que nasceu no mar antes da palavra, do olho que se afoga em sorrir
para junto da pipoca.
O poema era uma cadeira
branca que eu tive medo de sentar.
Mas aconteceu que o menino L. telefonou perguntando se iríamos à
praia novamente.
sábado, 2 de junho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
porque amo LLansol
De dentro da bacia de prata carregava a tinta azul que encobria meu rosto matriz
a impregnar lençóis brancos, a parede branca e o outro que encontrasse. Uma mancha desforme impressa. Borrão azul e identidade.
Llansol ofereceu-me uma toalha dizendo: Limpa a tua face.
Eu disse-lhe: não é chegada a minha hora.
- Há uma única diferença entre o beijo e o poema. O beijo pode ser dado mais tarde,
O poema .É de hoje que se trata.
do aparato dentário para a mordida, que contenha o quente do suor.
da palavra escolhida na palavra herdada, do anúncio nos olhos da denúncia,
a confiar-se numa fina abertura do tecido no imenso da terra. deste sim. em pequenas letras,
que traz para perto do corpo o animal a nascer.
O encontro escreve poemas,
dá forma ao abraço do aéreo,
e ao beijo de amanhã.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
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