era vasto
o que o som das copas
me traziam com o vento
atrás de mim, uma voz
carregada de cestas e frutas, semeava:
consegues, no excesso do silêncio,
conviver com tudo o que dissestes
até agora?
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
na superfície do rio, o altar
aconselho-me com os sábios habitantes dos canteiros
ao lado destas margens querendo alargar-me
tem um animal que pede aqui dentro
uma gota a mais nesta língua nascente
um horizonte febril
nas palavras difíceis de fazer
é o espelho olhando o sol
é novo o dia
e as elas me usam
num canto peregrino
como centelhas que saltam
sou isca mergulhada na luz
aconselho-me com os sábios habitantes dos canteiros
ao lado destas margens querendo alargar-me
tem um animal que pede aqui dentro
uma gota a mais nesta língua nascente
um horizonte febril
nas palavras difíceis de fazer
é o espelho olhando o sol
é novo o dia
e as elas me usam
num canto peregrino
como centelhas que saltam
sou isca mergulhada na luz
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
no limite dos dedos
toco o que não posso
arranho a lucidez
um instante
o acesso negado
a única porta
sou a chave
que trago nas mãos
toco o que não posso
arranho a lucidez
um instante
o acesso negado
a única porta
sou a chave
que trago nas mãos
sábado, 30 de janeiro de 2010
calhas secas, paredes úmidas e folhas amarelas na mesa, vá
contra o que chega é a descrença que mata,
queres tanto se não és
mora nos intervalos do que move e nada altera seu lugar
ao menos que diga o que é próprio e sempre cai
de ti
contra o que chega é a descrença que mata,
queres tanto se não és
mora nos intervalos do que move e nada altera seu lugar
ao menos que diga o que é próprio e sempre cai
de ti
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
fogão sujo
caneca amassada
fogo levantando
leite com voracidade
manhã em detalhes
avental retalhado
manufatura do recolhido
renovados cheiros
som da colher:
tempo que ajudou a cumprir
caneca amassada
fogo levantando
leite com voracidade
manhã em detalhes
avental retalhado
manufatura do recolhido
renovados cheiros
som da colher:
tempo que ajudou a cumprir
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
sou o fim da viagem
numa casa de veraneio
não vês que os espaços em branco
cobram silêncio e presença?
eu não comungo da morte
desçam aqui os homens
que plantaram aquelas cruzes
no alto da colina
reconheço minha falta de gosto
não sou mais que os cantos daquela muralha
em cadência ocre, verde e amarelo-negro
mas viveremos para sempre deste modo doméstico?
não amanhã, mas agora
neste Aberto de silêncio e presença
cólera ao meio-dia
desça e ouça
os estalos desta morada nova:
aqui estou.
numa casa de veraneio
não vês que os espaços em branco
cobram silêncio e presença?
eu não comungo da morte
desçam aqui os homens
que plantaram aquelas cruzes
no alto da colina
reconheço minha falta de gosto
não sou mais que os cantos daquela muralha
em cadência ocre, verde e amarelo-negro
mas viveremos para sempre deste modo doméstico?
não amanhã, mas agora
neste Aberto de silêncio e presença
cólera ao meio-dia
desça e ouça
os estalos desta morada nova:
aqui estou.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Zilda Arns
mas como alguém pode estar inteiramente em mim-
eu, que sou tão inacabada?
pra sempre viva,
eu, que sou tão inacabada?
pra sempre viva,
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
àquele que foi dado
o direito de morrer
olha pela janela
e vê fora a sua luz
voz emoldurada
pátio seco
chuva anunciada
o homem e a janela nascem iguais
o direito de morrer
olha pela janela
e vê fora a sua luz
voz emoldurada
pátio seco
chuva anunciada
o homem e a janela nascem iguais
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
de tanto chamares, a palavra vem
o que espera
como folha reticente ao vento
neste ano arde em campo e selva
inventemos um deus
como a manhã sem planos
que fala antes da primeira
vez da intimidade vasta
eu não sou o mistério
o que morre, não está aqui
nesta clara noite
esfreguei as mãos nas paredes
encontrei a carnadura das casas
se morro hoje, nada guardo
avanço lentamente
por onde olho, vejo-me no que voa
e busco, no golpe preciso
o gosto da terra firme
o que espera
como folha reticente ao vento
neste ano arde em campo e selva
inventemos um deus
como a manhã sem planos
que fala antes da primeira
vez da intimidade vasta
eu não sou o mistério
o que morre, não está aqui
nesta clara noite
esfreguei as mãos nas paredes
encontrei a carnadura das casas
se morro hoje, nada guardo
avanço lentamente
por onde olho, vejo-me no que voa
e busco, no golpe preciso
o gosto da terra firme
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
aquilo que trazes com o sim
quatro mãos em precipício
faz o rosto mover-se lentamente
como um boi mastigando o vago
-sou um a mais de mim-
das rebeliões passadas
trago apenas o dorso enrugado
insetos movem-se ao redor
transitam no pasto, dançam no vento
e eu rumino minha falta pressa
pois hoje visitou-me
a natureza em sede saciada
quatro mãos em precipício
faz o rosto mover-se lentamente
como um boi mastigando o vago
-sou um a mais de mim-
das rebeliões passadas
trago apenas o dorso enrugado
insetos movem-se ao redor
transitam no pasto, dançam no vento
e eu rumino minha falta pressa
pois hoje visitou-me
a natureza em sede saciada
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
invejo a fome da raiz
com suas quatro patas fincadas no chão
exponho-me em fileiras de grãos
e aceito
que a mão que me afunda na terra
que toca os pelos deste caule fresco
seja a mesma a decepar meus braços fracos
nos dias em que não semeio
a pergunta que hoje sou
com suas quatro patas fincadas no chão
exponho-me em fileiras de grãos
e aceito
que a mão que me afunda na terra
que toca os pelos deste caule fresco
seja a mesma a decepar meus braços fracos
nos dias em que não semeio
a pergunta que hoje sou
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
se todas as maçãs rolassem ladeira abaixo
e a menina naquele vestido de algodão
ousasse chutá-las contra a parede
eu aceitaria minha amada aparição
ou um volume dágua ultrapassando
o limite do corpo
-estou em acúmulo-
assusto-me com a ventania debaixo da mesa
com a boca avermelhada que morde a casca
há uma mulher nascendo
amansando os nãos do mundo
escolhendo como alimento
a polpa que excede a fruta
e a menina naquele vestido de algodão
ousasse chutá-las contra a parede
eu aceitaria minha amada aparição
ou um volume dágua ultrapassando
o limite do corpo
-estou em acúmulo-
assusto-me com a ventania debaixo da mesa
com a boca avermelhada que morde a casca
há uma mulher nascendo
amansando os nãos do mundo
escolhendo como alimento
a polpa que excede a fruta
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
as chuvas deste temporal movem-se sempre
ora são metais, ora são facas que falam
mas há um corpo cortante
que atravessa todas as noites inseguras
quando estou próxima dos silêncios
desdobro-me em lençóis
como quem acabou de chegar de viagem
o vento que agora comemora
lutava contra a pele dormente
e removia a camada de sal que se aviltava
se chego às minhas margens
sinto vontade de levar os metais pesados à boca
minha natureza mole quer encontrar-se com as paredes
arrancar tudo o que não seja amor
e construir-se em cheiros trocados
deste paladar que não se cessa nunca
tendes alimentado-se com o seu desejo?
consegues me dizer o que em ti retorna sempre?
tendes provas de que sois ?
acolho o vento das maternidades
e arranco-o das janelas frias
e ele se faz em brasa
a cada sopro no meu ouvido
ora são metais, ora são facas que falam
mas há um corpo cortante
que atravessa todas as noites inseguras
quando estou próxima dos silêncios
desdobro-me em lençóis
como quem acabou de chegar de viagem
o vento que agora comemora
lutava contra a pele dormente
e removia a camada de sal que se aviltava
se chego às minhas margens
sinto vontade de levar os metais pesados à boca
minha natureza mole quer encontrar-se com as paredes
arrancar tudo o que não seja amor
e construir-se em cheiros trocados
deste paladar que não se cessa nunca
tendes alimentado-se com o seu desejo?
consegues me dizer o que em ti retorna sempre?
tendes provas de que sois ?
acolho o vento das maternidades
e arranco-o das janelas frias
e ele se faz em brasa
a cada sopro no meu ouvido
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
há folhas caindo em meu copo
risos miúdos no travesseiro
há morada de pássaros azuis nos cantos do corpo
ou um nome só
acordado antes do sonho
consumindo-se em mordidas roubadas
vento nas coxas da moça
que distraidamente inicia a ladeira
sou um sendo
um gesto construído no teu
a juventude do seu amanhã
e vejo a natureza vindo
o inevitável do medo em estado de gozo
e sofro em ausências menores
o que agora me treme em certeza
-não serei menos que a única-
risos miúdos no travesseiro
há morada de pássaros azuis nos cantos do corpo
ou um nome só
acordado antes do sonho
consumindo-se em mordidas roubadas
vento nas coxas da moça
que distraidamente inicia a ladeira
sou um sendo
um gesto construído no teu
a juventude do seu amanhã
e vejo a natureza vindo
o inevitável do medo em estado de gozo
e sofro em ausências menores
o que agora me treme em certeza
-não serei menos que a única-
domingo, 22 de novembro de 2009
como cumprir o tempo da existência
descobrir as passagens da casa antiga, e passar por elas,
não sê-las, não habitar nada que não nos pertence?
esquece tua malha gasta
tece as vestes da fragilidade
outrora, sendo o oposto da dor
itinerário dos heróis que lês na penumbra da sala
sonha com eles, pede que intercedam em nosso auxílio
se queres saber como se anda no meio-fio,
desces e cola-te na terra
arranha teu corpo no chão
os que se amam devem rosnar ao mundo
jamais o diálogo sucumbirá à morte
o rio se apequena quando não nascemos em voz
a ti, meu inocente sonho,
escreverei confissões em cima da cama
encarnarei no rosto
o destino que me convoca
pois não me parece fácil
aceitar o recuo da vida
descobrir as passagens da casa antiga, e passar por elas,
não sê-las, não habitar nada que não nos pertence?
esquece tua malha gasta
tece as vestes da fragilidade
outrora, sendo o oposto da dor
itinerário dos heróis que lês na penumbra da sala
sonha com eles, pede que intercedam em nosso auxílio
se queres saber como se anda no meio-fio,
desces e cola-te na terra
arranha teu corpo no chão
os que se amam devem rosnar ao mundo
jamais o diálogo sucumbirá à morte
o rio se apequena quando não nascemos em voz
a ti, meu inocente sonho,
escreverei confissões em cima da cama
encarnarei no rosto
o destino que me convoca
pois não me parece fácil
aceitar o recuo da vida
quantas línguas cabem num único ato de amor
a fala é toada de cavalos
errância sem paragem
poço sem roldana
diante do ato que instaura
o descer mais além
marcas espirituais daquilo que ocultamos
do gesto inesperado
o vocabulário possivel:
somos a voz em impulso e murmúrio
a fala é toada de cavalos
errância sem paragem
poço sem roldana
diante do ato que instaura
o descer mais além
marcas espirituais daquilo que ocultamos
do gesto inesperado
o vocabulário possivel:
somos a voz em impulso e murmúrio
domingo, 15 de novembro de 2009
todo anjo é cinza e fumaça
nada pode a casa de batismo em chamas
o mar guarda os nomes que quer
e, então
afina suas horas para o dizer
o único corpo que não cessa
nada pode a casa de batismo em chamas
o mar guarda os nomes que quer
e, então
afina suas horas para o dizer
o único corpo que não cessa
A Extraordinária Aventura vivida por Vladimir Maiakóvski no Verão na Datcha
A tarde ardia em cem sóis
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava
no ar e nos lençóis
da datcha onde eu estava,
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula,
e ao pé do monte
a aldeia enruga
a casca dos telhados.
E atrás da aldeia,
um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:
o sol descia
lento e exato
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia
isto
começou a irritar-me
terrivelmente.
Um dia me enfureço a tal ponto
que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:
Desce!
Chega de vadiar nessa fornalha!
E grito ao sol:
Parasita!
Você aí, a flanar pelos ares,
e eu aqui, cheio de tinta,
com a cara nos cartazes!
E grito ao sol:
Espere!
Ouça, topete de ouro,
e se em lugar
desse ocaso
de paxá
você baixar em casa
para um chá?
Que mosca me mordeu!
É o meu fim!
Para mim
sem perder tempo
o sol
alargando os raios-passos
avança pelo campo.
Não quero mostra medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas
a massa
solar vem abaixo
e invade a minha casa.
Recobrando o fôlego,
me diz o sol com a voz de baixo:
Pela primeira vez recolho o fogo,
desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá,
pegue a compota, poeta!
Lágrimas na ponta dos olhos
- o calor me fazia desvairar, eu lhe mostro
o samovar:
Pois bem,
sente-se, astro!
Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?
Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.
Mas uma estranha claridade
fluía sobre o quarto
e esquecendo os cuidados
começo
pouco a pouco
a palestrar com o astro.
Falo
disso e daquilo,
como me cansa a Rosta,
etc.
E o sol:
Está certo,
mas não se desgoste,
não pinte as coisas tão pretas.
E eu? Você pensa
que brilhar
é fácil?
Prove, pra ver!
Mas quando se começa
é preciso prosseguir
e a gente vai e brilha pra valer!
Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,
com desassombro
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos, poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos.
O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
Gente é pra brilhar
que tudo o mais vá prá o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.
(trad: augusto de campos)
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava
no ar e nos lençóis
da datcha onde eu estava,
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula,
e ao pé do monte
a aldeia enruga
a casca dos telhados.
E atrás da aldeia,
um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:
o sol descia
lento e exato
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia
isto
começou a irritar-me
terrivelmente.
Um dia me enfureço a tal ponto
que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:
Desce!
Chega de vadiar nessa fornalha!
E grito ao sol:
Parasita!
Você aí, a flanar pelos ares,
e eu aqui, cheio de tinta,
com a cara nos cartazes!
E grito ao sol:
Espere!
Ouça, topete de ouro,
e se em lugar
desse ocaso
de paxá
você baixar em casa
para um chá?
Que mosca me mordeu!
É o meu fim!
Para mim
sem perder tempo
o sol
alargando os raios-passos
avança pelo campo.
Não quero mostra medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas
a massa
solar vem abaixo
e invade a minha casa.
Recobrando o fôlego,
me diz o sol com a voz de baixo:
Pela primeira vez recolho o fogo,
desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá,
pegue a compota, poeta!
Lágrimas na ponta dos olhos
- o calor me fazia desvairar, eu lhe mostro
o samovar:
Pois bem,
sente-se, astro!
Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?
Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.
Mas uma estranha claridade
fluía sobre o quarto
e esquecendo os cuidados
começo
pouco a pouco
a palestrar com o astro.
Falo
disso e daquilo,
como me cansa a Rosta,
etc.
E o sol:
Está certo,
mas não se desgoste,
não pinte as coisas tão pretas.
E eu? Você pensa
que brilhar
é fácil?
Prove, pra ver!
Mas quando se começa
é preciso prosseguir
e a gente vai e brilha pra valer!
Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,
com desassombro
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos, poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos.
O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
Gente é pra brilhar
que tudo o mais vá prá o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.
(trad: augusto de campos)
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
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