segunda-feira, 19 de junho de 2017

era a única folha amarela daquela jiboia com lucidez de sol

é possível o amor ali, onde não há?

segunda-feira, 5 de junho de 2017

ela dirigia um automóvel, a escolher por entre o deserto o lugar onde se instalaria aquele povo.
era todo um povoado a espera de seu olhar.
que pararia a qualquer instante e faria o sinal.
e nela caberia carregar aquilo que seria o marco:
uma imensa caixa de madeira em forma de cacto, sem nada dentro,
chamada
fundamento.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Texto: O poema Marcelo Ariel, ou porque nos tornamos sóis,
que escrevi,
publicado aqui:

http://croma.fba.ul.pt/C_v5_iss9.pdf

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

As verdades permanecem atrás das formas — Símbolos.
Todo fenômeno é o Símbolo de uma Verdade.
Seu único dever é manifestá-la.
Seu único pecado: preferir-se.
Vivemos para manifestar.
As regras da moral e da estética são as mesmas: toda obra que não manifeste é inútil
e, por isso mesmo, má.
Todo homem que não manifeste é inútil e mau. (Elevando-se um pouco, ver-se-á que
todos manifestam — mas somente depois se deve reconhecer.)
Todo representante da Ideia tende a preferir-se à Ideia que ele manifesta.
Preferir-se — eis aí a falta.
O artista, o sábio, não deve preferir-se à Verdade que ele quer dizer: eis toda a sua
moral; nem a palavra, nem a frase, à Ideia que querem mostrar: eu quase diria que nisso
reside toda a estética.
E não pretendo que essa teoria seja nova; as doutrinas da renúncia não pregam outra
coisa.
A questão moral, para o artista, não é que a Ideia, que ele manifesta, seja mais ou
menos moral e útil a um grande número; a questão é que ele a manifeste bem.
— Pois tudo deve ser manifestado, mesmo as coisas mais funestas:
“Ai daquele pelo qual o escândalo vem”, mas “É preciso que o escândalo venha”.
— O artista e o homem verdadeiramente homem, que vive por alguma coisa, deve ter feito
antes o sacrifício de si mesmo.
Toda a sua vida nada mais é do que um encaminhamento para isso.
E agora, o que manifestar? — Isso se aprende no silêncio.(Esta nota foi escrita em
1890, ao mesmo tempo que o tratado.)

Andre Gide