quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

há folhas caindo em meu copo
risos miúdos no travesseiro
há morada de pássaros azuis nos cantos do corpo
ou um nome só
acordado antes do sonho
consumindo-se em mordidas roubadas
vento nas coxas da moça
que distraidamente inicia a ladeira
sou um sendo
um gesto construído no teu
a juventude do seu amanhã
e vejo a natureza vindo
o inevitável do medo em estado de gozo
e sofro em ausências menores
o que agora me treme em certeza
-não serei menos que a única-

6 comentários:

Geraldo de Barros disse...

nossa... Angela, sua poesia é de uma intensidade incrível. Lindo poema, parabéns!

um abraço,
Geraldo.

Fábio Romeiro Gullo disse...

"há morada de pássaros azuis nos cantos do corpo" é verso perene.

Por estranho q pareça, quando a leio, Ângela, sinto a mesma emoção que Harold Bloom sente na intensidade de sua paixão pela idiossincrasia de uma Emily Dickson e as metáforas de um Hart Crane.

Anônimo disse...

não existe critério técnico para decifrar Arte..... os aspectos são subejtivos, poéticos, conteudais.... para entender Arte, é preciso ter bagagem : qq. Arte:
eu tenho e sei o que é bom desde um FRANCIS BACON ou KLEE ATÉ UM MÁRIO CRAVO NETO....os pássaros azuis são símbolos etruscos, mesmo não sabendo deveriam estar em seu inconsciente......


FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA

Anônimo disse...

um escritor não há que ser meigo...
auto-referente...mesmo quando sinuoso.... dever ser pleno....
pleno...... desnudo.....
sem concessão aos que o ouvem como platéia amestrada....
FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA

colorindopaginas disse...

Gostei muito!

Marilane disse...

E pensar que já estive horas e horas do lado desta linda que hoje é uma poeta!!!
Grande beijo!parabéns pelo dom!
Marilane