domingo, 22 de novembro de 2009

como cumprir o tempo da existência
descobrir as passagens da casa antiga, e passar por elas,
não sê-las, não habitar nada que não nos pertence?
esquece tua malha gasta
tece as vestes da fragilidade
outrora, sendo o oposto da dor
itinerário dos heróis que lês na penumbra da sala
sonha com eles, pede que intercedam em nosso auxílio
se queres saber como se anda no meio-fio,
desces e cola-te na terra
arranha teu corpo no chão
os que se amam devem rosnar ao mundo
jamais o diálogo sucumbirá à morte
o rio se apequena quando não nascemos em voz
a ti, meu inocente sonho,
escreverei confissões em cima da cama
encarnarei no rosto
o destino que me convoca
pois não me parece fácil
aceitar o recuo da vida

9 comentários:

Anônimo disse...

´´Pois o herói percorre as estações do amor, e cada pulsar
de um coração ardente o impele 'as alturas com mais força. Alheado,, porém , ele é outro, ao termo dos sorrisos.´´

-Sexta Elegia.
RILKE

´´Semeio de meus dedos,
Planto com minhas vísceras;
A chuva fina é muda.

Numa senda estreita
Escrevo meus enigmas.
Meia-noite só existe uma.

O eco é meu companheiro,
A bruma meu desdobrar ao tempo.´´

- ´´De relance´´, poema de René Char, livre tradução.

FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA

Anônimo disse...

´´O Mundo ´fala´ aos homens e, para compreender essa linguagem, basta-lhe conhecer os mitos e decifrar os símbolos´´
MIRCEA ELIADE

- aqui a exegese do Eterno.

beijo fraterno, FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA

Anônimo disse...

´´os que se amam devem rosnar ao mundo...´´

- tudo aí se diz da eloquencia da Arte contra a mediocridade: rosnar ao que tenta turvar o genuíno sentimento do Belo, o sensível eterno, não o espirito do tempo.

´´O homem dominado unilateralmente por sentimentos ou sensivelmente tenso é dissolvido e posto em liberdade pela forma; o homem dominado unilateralmente por leis e espiritualmente tenso é dissolvido e posto em liberdade pela matéria.´´

- curto muito SCHILLER em ´´A EDUCAÇÃO ESTÉTICA DO HOMEM´´, ele antecipa Adorno.... a coisificação, o artista a serviço do mercado.... só o poeta liberto pode livre e sobranceiro interpretar o mundo.


FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA

Anônimo disse...

tomei minhas anotações apartir de Schopenhauer: ´´Sobre o ofício do escritor´´... alguns conceitos reacionários no velho alemão...mas muita precioidade.
- ESTOU ATENTO A TEUS POEMAS , ADENSAM...

FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA

Fábio Romeiro Gullo disse...

Ângela, os últimos nove versos, a partir da sublime pedra de toque “os que amam devem rosnar ao mundo”, em que o suave do amor encontra expressão de sua força na promessa de violência de um rosnado (e aqui vejo ainda o romântico e o carnal se cruzando), são de beleza e melancolia ímpares. Parabéns :-)

Geraldo de Barros disse...

Angela, encontrei uns poemas seus aqui na net e fiquei encantado, resolvi então procurar algo mais e acabei encontrando esse "cantinho" bom, belos poemas, parabéns!

Um abraço,
Geraldo.

o que tem ela disse...

mais um:

http://www.poenocine.blogspot.com/

pastore13léguas disse...

tuglup!

Carenu disse...

Rosto de Arquiteto a