segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

as chuvas deste temporal movem-se sempre
ora são metais, ora são facas que falam
mas há um corpo cortante
que atravessa todas as noites inseguras
quando estou próxima dos silêncios
desdobro-me em lençóis
como quem acabou de chegar de viagem
o vento que agora comemora
lutava contra a pele dormente
e removia a camada de sal que se aviltava
se chego às minhas margens
sinto vontade de levar os metais pesados à boca
minha natureza mole quer encontrar-se com as paredes
arrancar tudo o que não seja amor
e construir-se em cheiros trocados
deste paladar que não se cessa nunca
tendes alimentado-se com o seu desejo?
consegues me dizer o que em ti retorna sempre?
tendes provas de que sois ?
acolho o vento das maternidades
e arranco-o das janelas frias
e ele se faz em brasa
a cada sopro no meu ouvido

2 comentários:

Geraldo de Barros disse...

Angela, sua poesia como sempre me arrebatante, que mulher é essa :)
que intensidade sem perder a sutileza, caminha em superfícies delicadas com leveza e profundidade nos passos,

Beijos e uma ótima semana,
Geraldo.

Anônimo disse...

Faca na cavera!


sem reza
bela maldade
sangue que escorre doce e gritante



bruno pastore