uma palavra em
baixo da
outra
página
a
página
aos poucos a
parte de cima
distancia-se
da parte de
baixo
verticaliza-se
a fala
o pensamento
-ascese-
e o sonho corre solto nos braços da horizontalidade
sexta-feira, 10 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
escrita misturada de água e rastelo de jardim. Meço a temperatura do sol na folha, se a sombra de um pássaro ou de uma mosca alteram as coisas do alto. Olhar para a árvore é sozinho que se vai.
Uma leitura que te deriva do vazio. Para manter os pés quentes. Eis a exigência da fronte.
Pés frios emudecem
Uma leitura que te deriva do vazio. Para manter os pés quentes. Eis a exigência da fronte.
Pés frios emudecem
terça-feira, 16 de abril de 2013
hoje quando acordei duas palavras espirraram da minha boca - verde raiz-
lembrei de ter escutado de alguém que tudo o que falamos se propaga em ondas sonoras até o infinito, pois não há barreiras para bloqueá-las. Fico pensando que -a copa da árvore- dita pela primeira vez por Llansol deveria estar passando por aqui e convocado o -verde raiz- a sair do silêncio para se enroscarem e se perderem uma vez mais.
lembrei de ter escutado de alguém que tudo o que falamos se propaga em ondas sonoras até o infinito, pois não há barreiras para bloqueá-las. Fico pensando que -a copa da árvore- dita pela primeira vez por Llansol deveria estar passando por aqui e convocado o -verde raiz- a sair do silêncio para se enroscarem e se perderem uma vez mais.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Da primeira vez que eu plantei tomate,
ia no canteiro e me
espantava com a folha, recortada, tinha cheiro do fruto,
Da segunda vez, cresceram pequenos. Deixei-os na pia
para olhar e contar meu feito,
Da terceira eram maiores, e, de tanto, pegou praga, os bichos consumiam as folhas. Comi. Mas tive medo. Tão quente, tão doce.
Nunca mais tive coragem de plantá-los. Era gente.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
estou cada vez mais próxima desse ato de amor da luz no vaso de flores, ou a colcha de retalhos em tom ameno, breve e recluso de lucidez. percebo que há furos nos espaços da lembrança, nos seus significados de companhia. no entanto, eles me pertencem. agora sou mais branco que linha.
vejo os ossos da terra erguerem um abraço
e tranquilizo-me.
vejo os ossos da terra erguerem um abraço
e tranquilizo-me.
domingo, 17 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
"Assombroso não é as asas que nos podemos formar, mas que elas comecem a se formar nos outros, e que as vejamos implicadas em voltas e camadas sempre mais profundas, como as de uma larva enrolada e aderida firmemente ao tronco de uma árvore, e que enfim o peso da própria Terra pareça curvá-las e conter seu prometido vôo, de modo que elas talvez só se abram para dentro, em chamas."
Paulo Neves
Paulo Neves
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Aquela hora foi a mesma, afastada das grandes coisas, despreocupada com o remendo do mundo e tomando gosto pela parte furada, o chão trazido às espécies para não funcionar, passando o dedo na palavra até ela dançar, borrando no caderno um espaço de vida.
“Tenho medo”- disse-lhe algo. Mas que futuro se fermenta hoje? O quanto podemos falar das meias na calmaria da mesa a entregarem-se ao sono do urso?
Por isso ela desce agora de sua casa inconclusa, na soleira do cabelo solto. Nobre.
“Há muito a ser feito”. Para um dia olhar a janela e não ser aquela do poema.
Falar, se houver necessidade de falar-lhe.
O sentido e a flecha na folha, no dia em estado roxo
O olho socado na parede, por um golpe de beleza: rosto de porta aberta.
Encher toda a testa de luz o quanto o caule dessa flor aguentar
e depois partir para descer em cascatas febris, -do nariz ao por-do-sol- sem
qualquer distância relevante. Sendo o maior porta-retrato da terra, rasgado por
um abraço:
A luz de não comer a vez de alguém. Dai-me. O rosto tirado
da argila. Na margem do erro.
Todas as esculturas virando carne. E toda a carne virando
escultura.
A decadência de repetir-se na falha de nascer:
Esse jogo de querer, a qualquer medo,
Amar.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Um menino,
na sétima série, que chegava na sala de aula todos os dias e tirava a sua roupa,
tênis e meias, pendurava no varal, que ele mesmo havia feito, de barbante, no
fundo
Nu, sentava-se
no meio da sala, a trocar a pele com o chão, cadeira e outros materiais. Magro,
sem frio nem vergonha.
Não me lembro da professora. Eu me
sentava perto, ao seu lado direito. Mas, algumas vezes, no meio da aula, eu me
achava debaixo da cadeira, no esconderijo da expiação
E pensava:
Quando
chegar a hora do intervalo, vou pedir para ele fazer um desenho para mim,
e vou saber como um homem se equilibra ao sol.
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