terça-feira, 15 de outubro de 2013

à espera
do dia
estirado
na pele
bem-aventurados os alucinados, porque deles será o real
bem-aventurados os desiludidos, porque neles o pensamento se fará humano
bem-aventurados os corpos que morrem, porque deles será a sensualidade do invisível
bem-aventurados os desesperados, porque deles será a restante esperança
bem-aventurado sejas tu, ó texto, porque nos abres a geografia dos mundos
bem-aventurada sejas tu, ó Terra, porque tua será a explosão que levará o vivo a todo o Universo (LLANSOL, ATJ, 146-7).

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

há dias tenho sonhado com meu irmão e, quando acordo, abraço o rosto da palavra morte.
foi ele quem me deu a mão para entrar. hoje tenho um acúmulo de plantas, quatro paredes e um ajuntamento de animais

gostei de nascer

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A NOITE


A noite, o que significa verde, tons azulados e este pouco
vermelho muito escuro que, irregular, corrói por baixo a página.
Escrevo, apressadamente, a palavra charco, a palavra estrela.
Escrevo nascimento.Escrevo pastores e reis. Escrevo que quebro
uma lâmpada e que agora está escuro.

Yves Bonnefoy

terça-feira, 30 de julho de 2013

nada mais dormente que a leitura sem corpo,
nada mais suspeito que a posse de um corpo ----------------
nada mais vidente que a pele
a chance de dobrar, involuir, tremer, -meudeus-
-nada mais tocar que não seja pele- 
fica imenso demais-
lá, onde o buraco, a porta e os olhos se carnam

sábado, 27 de julho de 2013

"um eu é pouco para o que está em causa" (MGL)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

eu queria dizer que tudo o que é aberto tem um nome
as palavras que terminam em s;
os pés voltados para fora;
a caneta manchando a colcha. Aquele resto de vinho
eu queria escorrer com o aberto,
pelo nosso nome, pelo pão
para a terra onde o trigo não se detém
em nome do pão do aberto


quarta-feira, 24 de julho de 2013

hoje, começo a primeira destruição do edifício: a letra A
se conseguir caminhar sem muletas, porei abaixo a letra N
se conseguir andar sem medalhas, derrubo a letra G
às letras restantes darei o presente impossível : 
o tempo que resta.



terça-feira, 16 de julho de 2013

e, se vejo o bicho como bicho não serei eu um bicho também?
Mas, se o outro que estou a olhar não vejo como humano,  e sim como uma onça a atacar-me no próximo ato, não serei eu
o pequeno porco assustado da história?

presente Llansol


textualidade de Lucia Castello Branco


palavra-trabalho


domingo, 14 de julho de 2013

A noite grávida
o dia, a entranha, nossa fala, grávidos

acontece e não tem volta
essa fome do agora

sexta-feira, 5 de julho de 2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

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dois dias de chuva
e minha pele em pleno sol
não sei porque este corpo não se molha
se é amor ao descompasso
ou temor da comunhão