Neste dia em que o calor cresce das paredes, fico desatenta à distração e aceito pensar nos caminhos que um dia levaram alguém à beatitude.
Quanto um espaço pode suportar o espalhar de um corpo?
Encosto nos quatro cantos da crença e ela me diz: sabia que me amavas! Vem! Confiante, respondo: queria conhecê-la melhor para dar notícias aos homens que te esperam.
E mais uma vez ela me escapa.
Não há nada a dialogar com a crença.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Da Acídia
Há dias em que encosto na mulher que sou. Como se dois fios desencapados encontrassem a ligadura da superação. Destravo a fome de séculos e o fogo se instala como aplauso. Quando amo a mulher que sou alcanço a tua redenção. Pois, para erguê-la viva, é preciso mil oblatas em ovação.
Do silêncio II
No banho, a moça
cala o corpo, enrubescida
--a mãe irrompe à porta
não vê a hora de ocupar-se,
uma vez mais,
das roupas de baixo da filha.
cala o corpo, enrubescida
--a mãe irrompe à porta
não vê a hora de ocupar-se,
uma vez mais,
das roupas de baixo da filha.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Andrei Tarkoviski- Esculpir o tempo
para ter forças nesta manhã...
"A procura como processo (e não há outra maneira de considerá-la) tem com a obra completa a mesma relação que existe entre a procura de cogumelos na floresta e a cesta cheia depois que eles foram encontrados. Somente esta última- a cesta cheia- é uma obra de arte: seu conteúdo é real e incontestável, ao passo que a busca na floresta continua sendo a experiência pessoal de alguém que gosta de caminhar e de tomar ar fresco."
"A procura como processo (e não há outra maneira de considerá-la) tem com a obra completa a mesma relação que existe entre a procura de cogumelos na floresta e a cesta cheia depois que eles foram encontrados. Somente esta última- a cesta cheia- é uma obra de arte: seu conteúdo é real e incontestável, ao passo que a busca na floresta continua sendo a experiência pessoal de alguém que gosta de caminhar e de tomar ar fresco."
Thomas Mann- A montanha mágica
prefiro pensar na linguagem desta maneira:
" coloquemos assim: um fenômeno espiritual- isto é, significativo-
é significativo exatamente porque extrapola seus próprios limites, e atua como expressão e símbolo de algo espiritualmente mais vasto e mais universal, todo um universo de sensações e idéias corporificadas em seu interior com maior ou menor felicidade- eis aí a medida de sua significação".
Thomas Mann, A montanha mágica
" coloquemos assim: um fenômeno espiritual- isto é, significativo-
é significativo exatamente porque extrapola seus próprios limites, e atua como expressão e símbolo de algo espiritualmente mais vasto e mais universal, todo um universo de sensações e idéias corporificadas em seu interior com maior ou menor felicidade- eis aí a medida de sua significação".
Thomas Mann, A montanha mágica
sábado, 20 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Fazia um calor cor de rosa. E o barulho abotinado dos pés tinha um passo preciso. As pedras já aguardavam pequenas, prontas a rolarem no meio seco de pó. Nenhuma ave rasgou, nenhum réptil umideceu o ar. No lugar da estrada, um repouso. E na respiração, a única via. Aqui é o teu silencio que toma corpo. E o que teima é certeza de saber, o quanto, ao menos um dia, vivemos.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Humano, demasiado humano Nietzsche
Os seres humanos como maus poetas:
Assim como, na segunda metade do verso, os maus poetas buscam o pensamento que se ajuste à rima, na segunda metade da vida, tendo se tornado mais receosas, as pessoas buscam as ações, atitudes e situações que combinem com as de sua vida anterior, de modo que exteriormente tudo seja harmonioso:
mas sua vida já não é dominada e repetidamente orientada por um pensamento forte, no lugar deste surge a intenção de encontrar uma rima."
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Nikita: filme de Luc Bresson
há que se usar duas coisas sem limites:
a feminilidade
e o que ela possibilita
a feminilidade
e o que ela possibilita
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Ó santa mãe que aceita
que ama e não duvida
acumula-me de cera
e derreta-me de tanto pacto
Ó mãe das pontes internas
das vísceras curadas
aceita-nos cheios de pães
e nós
Íris encorpada
deita-me na queda dágua
lança-me no morro gelo
suspende-me as horas
Isabel da espera
desrespeita-me
descubra-me o osso
pois já posso ruivar
a quem ?
a ti, a vós
nós todos impregnados
ajuntados e cravados
mais do que ressoa
revoa o corpo
da tua voz em mim
ateia-me, ateio-me
enfim
que ama e não duvida
acumula-me de cera
e derreta-me de tanto pacto
Ó mãe das pontes internas
das vísceras curadas
aceita-nos cheios de pães
e nós
Íris encorpada
deita-me na queda dágua
lança-me no morro gelo
suspende-me as horas
Isabel da espera
desrespeita-me
descubra-me o osso
pois já posso ruivar
a quem ?
a ti, a vós
nós todos impregnados
ajuntados e cravados
mais do que ressoa
revoa o corpo
da tua voz em mim
ateia-me, ateio-me
enfim
sábado, 21 de junho de 2008
Pensar-agir
e eu que ainda sou inciante nesta viagem vejo-me totalmente inconformada com a continuidade das coisas.
Penso mesmo que o futuro de nossas sanidades mentais esteja exatamente na capacidade de ver o que se faz- tempo todo- uns olhos na ação e uns olhos no coração.
Nada será plenamente feito sem uma desconfiança de si mesmo, do que se apresenta aos nossos olhos como algo comum e corriqueiro.
Santo Deus- vejo tudo se encaixando e minha cabeça fica um maremoto de reflexoes.
Nao pára um instante sequer. E eu não tenho paz.
Penso mesmo que o futuro de nossas sanidades mentais esteja exatamente na capacidade de ver o que se faz- tempo todo- uns olhos na ação e uns olhos no coração.
Nada será plenamente feito sem uma desconfiança de si mesmo, do que se apresenta aos nossos olhos como algo comum e corriqueiro.
Santo Deus- vejo tudo se encaixando e minha cabeça fica um maremoto de reflexoes.
Nao pára um instante sequer. E eu não tenho paz.
sábado, 14 de junho de 2008
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